Mortalidade por Infecções em Brasileiros Residentes no Exterior: Análise do Perfil Epidemiológico do período de 2015 a 2024
DOI:
https://doi.org/10.70673/rcecrfba.v5i1.111Palavras-chave:
Infecções Oportunistas, Saúde Pública, Política de Saúde, Atenção à saúdeResumo
As doenças infecciosas e parasitárias, apesar de preveníveis, permanecem como uma importante causa de mortalidade, sobretudo, em cenários marcados por desigualdades sociais e com limitações no acesso aos serviços de saúde, como os imigrantes. Este estudo tem como objetivo analisar o perfil sociodemográfico e a distribuição geográfica dos óbitos por infecções em brasileiros residentes no exterior. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e descritivo, realizado através de dados secundários coletados no TABNET sobre doenças infecciosas e parasitárias no período de 2015 a 2024. Foram analisadas as variáveis número total de óbitos do período, ano de ocorrência, faixa etária, sexo, raça/cor, país do óbito, anos de escolaridade e local do registro do óbito. Os dados foram organizados no Microsoft Excel e analisados descritivamente com cálculos de frequências absolutas, relativas e construção de séries temporais para avaliação da tendência ao longo dos anos. No período foram registrados 451 óbitos provenientes das doenças infecciosas e parasitárias, com um pico durante o ano de 2021 (N=141; 31,26%), que coincide com o período mais crítico da pandemia por COVID-19. Em relação ao país do óbito, foram registrados em 50 países com destaque para Paraguai (N=134; 29,71%), Bolívia (N=99; 21,95%) e Venezuela (N=80; 17,74%). Quanto ao perfil das pessoas que foram a óbito, homens solteiros de cor parda, entre 60 a 69 anos de idade e com escolaridade de 8 a 11 anos registraram números maiores. A mortalidade de brasileiros por doenças infecciosas e parasitárias no exterior está relacionada à desigualdades sociais e contextos de vulnerabilidade, sendo mais frequente em países sul-americanos, indivíduos do sexo masculino, pardos, solteiros e com maior faixa etária.
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